Vinil Filmes exibe É Bucha! 40 anos do Teatro Biriba, na Maratona Cultural, nesse sábado, 14h, no Cinema do CIC.

Por Renato Turnes

O começo da nossa história com o Teatro Biriba foi em 2006, quando eu e Glaucia Grígolo, junto com a equipe da Vinil Filmes, encontramos a trupe pela primeira vez para as gravações de Sobre Atores e Palhaços, um especial para a RBS TV. Atuamos com a companhia e fomos definitivamente fisgados por ela. Depois continuamos nosso namoro com um projeto financiado pela FUNARTE através do qual acompanhamos a mudança da praça da companhia e resultou em Riso Sobre Rodas, uma espécie de documentário on the road. E agora apresentamos É Bucha – 40 anos do Teatro Biriba, um filme emocionante que nos orgulha muito. Reencontrei um texto que escrevi para o encontro Anjos do Picadeiro e depois reproduzido por Ermínia Silva no site Circonteúdo. Acho que fala tudo:

 A aproximação com a Família Passos, e com o trabalho das duas companhias-irmãs que levam o nome Biriba em Santa Catarina, me muda, a cada novo encontro, por completo.
Faz-me entender e respeitar a tradição, e me envolve em memórias, imagens, falas, textos guardados em um velho baú cheio de histórias prontas para serem recontadas. Esse mergulho historiográfico me conecta com uma longa linhagem de artistas admiráveis e deles aprendo sobre o ofício. Ajuda-me a estabelecer com o público uma forma direta e afetuosa de comunicação e esperar dele a resposta mais sincera.
Em cena me faz repensar os modelos formais de interpretação e a recuperar certo grau de liberdade expressiva, inventar uma presença ao mesmo tempo profunda e ingênua. Leva-me a ser de novo um jogador e um brincante e redescobrir a alegria do palco e o prazer perigoso do improviso.
Em termos estéticos, posso dizer que o encontro me faz ainda adquirir repertório de gêneros populares, que todo o tempo releio nas encenações que crio, me ajudando a moldar um estilo, destilar poéticas, definir algum caminho autoral, ainda em formação.
Também me ensina a empreender, tomar conta de mim, buscar viver da arte a que me propus, pois não há beleza maior que a dignidade do trabalho desses artistas. Por fim torna-me um ator mais alegre. Possivelmente um ser humano mais feliz. Depois da inesquecível apresentação de Biribinha contra o Monstro de Frankenstein, escrevi: Quando o palhaço sobe ao palco o jogo é alucinado, febril. Sinto soprar ao seu redor um vento que é graça e liberdade. Sob a lona da trupe andante reencontro uma certa ligação ancestral que une a nós atores numa tradição tão antiga quanto o ofício: a de não pertencer a lugar algum. A opção radical pelo risco de ser artista.