Com a palavra, Veludo:

Aquele rapaz, o Pacheco, nutro por ele certa simpatia. Ele me lembra alguns amiguinhos do tempo do orfanato, nos quais eu sempre descia o cacete.
O rapaz parece inteligente mas a vida de funcionário público parece que o abobalhou, o que é natural. Ando desconfiado que ele anda querendo comer minha garota, mas como condená-lo por isso, visto que ela é mesmo uma cavala…
VELUDO

O Sr. Fonseca é um boçal, de bigode antiquado. Desconfio que ele é brocha.
VELUDO

Querida Cacos,
Escrevo-te essas maltraçadas linhas para dizer-te que te tenho no mais alto apreço e que para sempre meu coração a ti pertencerá.
Queria humildemente pedir-te perdão por não ter levantado a tampa do mictório e ter gerado a discussão da fatídica noite de ontem. E te pedir que não voltes pro Paraguai por tão insignificante deslize.
Não suportaria mais viver sem teu colo, benzinho.
Prometo melhorar,
do teu
Veludo.

NOTA DE ESCLARECIMENTO ENDEREÇADA AO JORNAL O MOMENTO
Venho através desta esclarecer que os fatos recentemente divulgados pelos meios impressos, radiofônicos e televisivos e que dizem respeito à supostos atos subversivos executados por mim e por minha cônjuge, a Sra. Cacos-de-Vidro são absolutamente reais. Somos mesmo, tanto eu quanto a citada loiraça, dois incorrigíveis marginais, devassos, despudorados, pornográficos e amorais. Atesto a veracidade de nossos crimes e demais atos libidinosos e ofensivos e reitero que estes não são movidos, por qualquer tipo de sentimento ideológico ou necessidade real, mas por puro divertimento e perversão.
Atenciosamente,
Sr. Veludo, o tal.

ACRÓSTICO PARA CACOS
Cinturinha de pilão
Amor de perdição
Cabelo tingido de loirão
Ouço sua voz de trovão
Sinto sua pele dourada, que pedaço!
Depois sonho um sonho bem devasso
Ela dança, rebola, depois
Vira-se de costas
Intão fico louco de paixão
Dando tiros no meganha
Roubando sem perdão
Ostentando meu tesão

*Encontrado na parede de uma cela no presídio de Trombudo Central